17 de fev de 2011

Grávida aos 41 anos, naturalmente

Cris Ferreira

Em junho de 2001, tirei o DIU, que usei por 10 anos, para engravidar. Engravidei no mês seguinte, mas infelizmente tive um aborto espontâneo com 7 semanas. Foi uma fase muito triste, mas superei-a e nossas tentativas recomeçaram. Em vão, porém, pois se passaram 14 meses seguidos, sem conseguir engravidar. As cobranças eram muitas, principalmente por parte de uma de minhas cunhadas (que hoje, tirei da minha vida). Éramos amigas. Até eu perder minha primeira gravidez, em 2001. Ela, então grávida de 8 meses aos 42 anos, me ligou, dizendo estar de saída, para me fazer uma visita, dois dias após minha curetagem.
Muito triste, o que eu menos queria, naquele momento, era me deparar com uma linda barriga, de 8 meses de gravidez. Disse, delicadamente, que não estava bem, ainda com muitas dores, e sugeri que nos encontrássemos, na semana seguinte. Fiquei surpresa com a resposta: que “não tinha importância”, pois “ela faria apenas uma visitinha social, daquelas que a gente faz para alguém que está muito doente...”. Foram exatamente estas as palavras dela!

Eu não estava doente, estava apenas me restabelecendo de uma dor, que além de física, era muito mais de alma!! Aquele foi o início de um repertório de muitas alfinetadas que viriam pela frente! As cobranças por “um priminho” para a filha dela eram constantes. Dentre outras barbaridades, ela chegou a me falar, uma vez, com todas as letras "QUE EU DEVIA SER DO TIPO DE MULHER QUE CHORA, SEMPRE QUE A MENSTRUAÇÃO VEM, DE TÃO RECALCADA QUE EU SOU POR NÃO TER CONSEGUIDO TER UM BEBÊ".

O pior de tudo é que toda essa maldade aconteceu justamente na fase em que eu estava mais vulnerável e sensível, durante as minhas 4 tentativas de ser mãe: através de 1 inseminação e 3 fertilizações in vitro, que fiz em segredo por quase 3 anos de minha vida (fev/2002 a set/2004).

Sentia-me numa gangorra emocional!

Consultei quatro médicos, e em um dos exames invasivos - a video-laparoscopia, (pequena cirurgia com uso de micro câmeras) - ouvi de um deles que minhas trompas “estavam bastante comprometidas” e que apenas engravidaria com FIV ou ICSI – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide (pega-se o espermatozóide e o se injeta diretamente no óvulo). Este médico fora o mesmo que havia dado um diagnóstico muito ruim para o segundo espermograma (exame do ejaculado, onde se verifica se existe algum problema masculino) de meu marido.

Resolvi então procurar outro médico, e fiz a quarta tentativa. Este último desmentiu o diagnóstico do anterior com relação ao espermograma (meu marido naquela altura já tinha feito o terceiro espermograma). Desta forma, passei a não acreditar mais no diagnóstico sobre minhas trompas, que o outro médico havia feito (um médico de renome e muito prestígio aqui de São Paulo!).

Não engravidei também com a quarta FIV. Isso ocorreu em setembro do ano passado (2004). Fiquei arrasada!! Quase perdi meu casamento! Foram tempos difíceis, de muita luta, ansiedade, esperança, dor, tristeza e frustrações (sentimentos bem conhecidos por quem não consegue engravidar). Resolvi esquecer da idéia de ter filhos e coloquei em minha mente, que se não engravidasse naturalmente, adotaria uma criancinha, daqui a alguns anos.
Tirei pessoas tóxicas de meu caminho, passei a me cuidar mais e meu brilho voltou! Estava mais feliz, mais leve e conformada com a idéia de ser mãe “do coração”.

De repente, aconteceu algo muito inesperado e mágico: sábado, dia 08 deste mês de janeiro (2005), era para vir minha menstruação - e veio, mas de uma forma muito estranha... muito tímida, um sinalzinho marronzinho e umas gotinhas durante uns três dias. Então parou. Achei estranho! Estava irritada, deprimida, sintomas bem típicos das minhas TPMs... O seio doía pouco.

Resolvi fazer um teste de gravidez de farmácia, "só por desencargo de consciência", pois tinha certeza que mais uma vez daria o negativo (acho que já havia feito este teste umas 10 vezes, nestes quatro anos, sempre com o mesmo resultado...). Sentia-me uma boba!

Qual foi minha surpresa quando deu POSITIVO!!!!!!!!!!!!!!
Aí resolvi fazer o exame de sangue: o resultado do beta foi 701 ng/ml!!!!!!!!!!!!!!!! E repeti dali dois dias e deu 1.561 ng/ml! ESTOU GRÁVIDA!!!!!!!!!!
Aos 41 anos, sem esperar! Sem tratamento algum!

Engravidei dia 27 de dezembro, 2 dias após o dia de Natal! Estou de quase 9 semanas! Pela primeira vez, ouvi o coração de meu bebezinho bater!!! Forte, lindo, VIVO!!! É uma emoção que não tem tamanho!

O intuito deste depoimento é o de levar muita esperança a todas as mulheres que estão tentando engravidar e não conseguem. O que eu fiz foi desistir de minha vontade e colocá-la nas mãos de “algo maior”. Qualquer fosse o desfecho eu seria feliz! Havia MESMO resolvido ser muito mais feliz.

Sempre tive a prolactina alta, e meu último médico - com quem fiz a última FIV, especialista em reprodução - me aconselhou a não parar de tomar o Dostinex (medicamento para baixar o nível de prolactina): meninas que têm a prolactina alta, tomem esta medicação direto, mas falem antes com seu médico. Também emagreci 5kg, através dos Vigilantes do Peso (tenho certeza que isto também me ajudou muito!).

Estou confiante, passando bem. Não tenho dores, nem sangramentos. Minha gravidez está super normal.

LUTEI, MEREÇO E QUERO MAIS: UM BEBÊ LINDO E SAUDÁVEL!!!

Agradeço às pessoas NUTRITIVAS que estiveram ao meu lado e que com certeza também fazem parte desta vitória!!!

Cris Ferreira mora em São Paulo (SP).

Nenhum comentário:

Postar um comentário